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Irã condena à pena de morte mais seis manifestantes da oposição
As autoridades judiciais iranianas condenaram neste domingo, 14, à pena de morte, mais seis pessoas detidas durante os protestos de 27 de dezembro passado em Teerã, contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em junho do ano passado.
Segundo a agência semi-oficial de notícias Fars, o Procurador-geral Abbas Dolatabadi anunciou a sentença durante uma reunião na noite deste domingo com o aiatolá Nouri Hamedani.
"No momento, as sentenças contra essas seis pessoas estão no tribunal de apelação para uma decisão final", disse Dolatabadi.
O Irã já executou em 28 de janeiro passado duas pessoas condenadas por participar dos protestos da oposição reformista iniciados em junho passado, após a contestada reeleição do presidente ultraconservador Ahmadinejad.
Até o momento, mais de cem opositores foram julgados e o governo anunciou cinco sentenças de pena de morte e outros 80 a prisão por períodos de entre seis meses e 15 anos por envolvimento com os protestos.
Os opositores foram julgados e acusados como Mohareb (inimigo de Deus), um delito da jurisprudência islâmica que o Irã castiga com a pena de morte.
Dolatabadi afirmou que, em princípio, as autoridades deram tratamento conciliador às pessoas que protestaram contra o resultado das eleições. "No entanto, continuaram as concentrações injustificadas, nas quais iam se colocando pouco a pouco slogans contra a República Islâmica", disse.
Segundo ele, os manifestantes agora condenados insultaram os sacramentos islâmicos durante os acontecimentos de 27 de dezembro passado dia da Ashura, em que os muçulmanos relembram o martírio de Hussein, o imame mais venerado dos xiitas e neto de profeta Maomé.
Protestos
O ultraconservador presidente foi reeleito em pleito do dia 12 de junho passado, com cerca de 63% dos votos contra 34% do principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi.
A votação foi seguida por semanas de fortes protestos da oposição por fraude. Os protestos, enfrentados com violência pela polícia e a milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, deixaram ao menos 20 mortos, dezenas de feridos e cerca de 2.000 presos.
A maioria deles já foram libertados, mas mais de 80 foram condenados à até 15 anos de prisão por participação nos protestos e na violência após o pleito, segundo o Judiciário. Onze pessoas foram condenadas à morte.
A oposição chegou a denunciar abusos nos presídios contra os opositores, mas a acusação foi rejeitada por Teerã.
O Conselho dos Guardiães do Irã, órgão responsável por ratificar o resultado do pleito, aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos para acalmar a oposição, mas confirmou a reeleição de Ahmadinejad depois de afirmar que a fraude em cerca de 3 milhões de votos não era suficiente para mudar o resultado das urnas.
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