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"É preciso ouvir mais gente" na negociação de um acordo de paz no Oriente Médio, diz Lula após encontro com presidente de Israel
Ao lado do presidente de Israel, Shimon Peres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, nesta segunda-feira, 15, a proposta brasileira de que é preciso que mais países trabalhem como facilitadores para um acordo entre israelenses e palestinos. Com isso, indiretamente, ele deixou claro que o governo brasileiro gostaria de ser chamado para ajudar a mediar um entendimento, juntamente com os Estados Unidos, a ONU, a Rússia e a União Europeia, que formam o chamado Quarteto. O presidente israelense respondeu dizendo que a contribuição de Lula "será bem recebida", mas seu governo já avisou que vai insistir para o Brasil mudar de posição em relação ao Irã.
"Não acredito que exista no planeta um povo que ame e exerça tanto a paz como o Brasil. É nossa formação, nossa raça e nosso jeito de ser"- É importante que se chame mais gente, que se envolva mais gente e que se converse mais - afirmou Lula, defendendo em seguida as credenciais brasileiras. - A História do meu país é de paz. Não acredito que exista no planeta um povo que ame e exerça tanto a paz como o Brasil. É nossa formação, nossa raça e nosso jeito de ser - acrescentou.
Voltando a se referir à situação na região, Lula que afirmou que não há qualquer justificativa para a guerra. Ele está disposto a atuar em duas frentes, dizendo que o Irã é um ator importante na região e pode ajudar no processo de paz, e defendendo, diante dos palestinos, o fim da divisão entre o Hamas e o Fatah, para que se evite o fracasso das negociações. O presidente israelense, que chamou Lula de "César", numa alusão aos antigos imperadores romanos, afirmou que a ajuda de seu colega brasileiro a encontrar uma solução para a paz no Oriente Médio será bem-vinda.
- Sei que o senhor quer contribuir para a paz no Oriente Médio. Sua contribuição será bem recebida. Não temos opção além de completar o processo de paz - disse Peres, que recebeu o presidente Lula em sua residência com pompa e diversos elogios.
Segundo Shimon Peres, o processo de paz com os palestinos está sendo negociado " e não vamos deixar que ele acabe por causa de uma crise", numa referência aos Estados Unidos, que ficaram irritados por causa do plano de construir mais 1.600 casas em assentamentos, anunciado durante visita do vice-presidente americano, Joe Biden. Ele enfatizou que não há mais batalhas ou guerra no momento atual.
"O seu povo o escolheu e o ama. O mundo vê no senhor a esperança. O senhor traz a mensagem do futuro de todos nós"
- O senhor é um César, um presidente que leva esperança e paz. O seu povo o escolheu e o ama. O mundo vê no senhor a esperança. O senhor traz a mensagem do futuro de todos nós - afirmou, lembrando que Lula é o primeiro chefe de Estado brasileiro a visitar a região em 134 anos, já que o último foi o imperador D. Pedro II.
Lula diz que objetivo principal da viagem é fortalecer relações com Israel
Além dos elogios, porém, o vice-ministro das Relações Exteriores de Israel, Danny Ayalon, deixou claro que o governo de seu país vai insistir para que o Brasil mude sua posição e apoie a proposta de sanções comerciais ao Irã, que recentemente anunciou que irá enriquecer urânio a 20%, em sua política nuclear. Ayalon, que acompanhou o encontro entre os presidentes Shimon Peres e Lula, disse que não há outro caminho a não ser pressionar o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
- A única forma de lidar com o Irã é uma posição unificada internacional - disse o vice-ministro.
Perguntado se isso era um recado ao presidente Lula, ele respondeu:
- Absolutamente.
O presidente disse que o principal objetivo de sua visita ao país é fortalecer as relações entre Brasil e Israel.
- Ainda não utilizamos 20% do potencial entre os dois países para que possamos fazer crescer nossa amizade, nossas economias e nosso bem-estar social.
O presidente de Israel também destacou que Lula foi responsável pela redução dos índices de pobreza, analfabetismo, violência no Brasil e desigualdade social. Disse que o presidente brasileiro é um vitorioso e afirmou que o Brasil "é uma maravilha".
- O senhor deu à democracia uma nova explicação. Estive no seu país e vi que o povo brasileiro tem um grande coração - afirmou Peres.
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