Enviar Mensagem




A
A
A

Joe Biden pede, mas palestinos desistem de negociação de paz com Israel

Publicado em 11/03/2010 às 00:00Fonte: O Globo On Line

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, voltou a pedir nesta quinta-feira, 11, em Tel Aviv, que as negociações de paz na região sejam retomadas, mas o negociador chefe palestino, Saeb Erekat, confirmou que as conversações que seriam mediadas pelos americanos estão canceladas enquanto o governo de Israel mantiver um plano de construir mais 1.600 casas em Jerusalém Oriental. Divulgado durante a visita de Biden ao país, o plano israelense criou um mal-estar com o vice de Barack Obama e agora ameaça transformar sua viagem à região em um fracasso.

"Nós queremos ouvir do (enviado especial dos EUA, George) Mitchell que Israel cancelou sua decisão de construir casas antes de começarmos as negociações", disse nesta quinta, 11, o negociador chefe palestino, Saeb Erekat, segundo o jornal israelense "Haaretz".

Na véspera, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, já havia dito a Biden que não era suficiente que os EUA condenassem a decisão de Israel, anunciada na terça. O presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, que retirou o apoio que havia dado à retomada das negociações, disse na quarta que Abbas já havia desistido das conversações. Ainda assim, o vice-presidente americano pediu pressa na retomada do processo de paz.

"A coisa mais importante é que essas conversas sigam adiante e sigam adiante imediatamente e sigam adiante com boas intenções", disse Biden nesta quinta em discurso na Universidade de Tel Aviv." Nós não podemos adiar porque quando o progresso é adiado, extremistas exploram nossas diferenças".

Palestinos esperam que EUA pressionem Israel a desistir de novas casas

Nabil Abu Rdainah, aliado de Abbas afirmou que os palestinos esperam que os EUA pressionem Israel a desistir das novas construções. O enviado especial americano, George Mitchell, deve voltar à região na próxima semana. Mas nada indica que o governo israelense mudará de ideia.

"Jerusalém é parte da capital de Israel e construções lá serão levadas adiante como em Tel Aviv ou qualquer outra cidade, em toda parte de Jerusalém, conforme os planos", disse à rádio Israel o secretário de gabinete israelense, Zvi Hauser, que não confirmou nem negou notícias de que mais 50 mil novas casas estavam planejadas. " Jerusalém é uma cidade grande. É uma cidade que precisa crescer."

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse em comunicado que as novas construções ainda precisam de aprovações e só devem começar daqui a anos. O texto diz ainda que o premier conversou com Biden e expressou seu "profundo pesar pelo momento inapropriado" para divulgar o plano, além de ter prometido controlar o processo mais de perto. O embaraço criado com o vice-presidente americano já havia levado o ministro do Interior israelense, Eli Yishai, a pedir desculpas, na quarta-feira,10, por ter aprovado o projeto de novas construções em meio à viagem de Biden. O ministro fez questão de frisar, porém, que não vê problema no projeto.

Cerca de 200 mil israelenses vivem em Jerusalém Oriental e em áreas da Cisjordânia anexadas por Israel. Os palestinos afirmam que as ocupações, consideradas ilegais pela maior parte das potências mundiais, vão impedi-los de ter um Estado. Sob pressão dos EUA, Israel anunciou em novembro um acordo para congelar a ampliação dos assentamentos por 10 meses, mas o país alega que Jerusalém Oriental não está incluída neste plano.
A
A
A
Novo Comentário



/Conteudo/Noticia/DEFAULT_BANNER.JPG
/Conteudo/Noticia/DEFAULT_BANNER.JPG