Rio Preto começa a buscar uma trilha alternativa para o cinema, tanto no que diz respeito à produção quanto exibição. E esse caminho passa longe dos blockbusters. A estrada escolhida por alguns dos amantes dessa vertente artística é repleta de obras de menor apelo comercial, mas com títulos de forte expressão, inovação, experimentalismo. Dentre as ações realizadas nesse caminho menos óbvio está a recém-criada Confraria do Filme. A iniciativa quer se dedicar ao “lado B” da sétima arte, exibindo produções que marcaram a história do cinema, mas que nem sempre se traduziram em sucesso de bilheteria ou divulgação massiva.
Quem está à frente da iniciativa é o ator e diretor de teatro Milton Ferreira Verderi, que vai disponibilizar seu acervo de filmes ao projeto. A primeira reunião da confraria foi realizada na última quarta-feira, no Espaço de Arte da companhia de teatro Fábrica de Sonhos, no Jardim Alto Alegre. A intenção, segundo Verderi, é continuar realizando reuniões semanais, sempre às quartas-feiras, a partir das 20 horas, com entrada a R$ 10.
Verderi afirma que tem cerca de 1,5 mil DVDs e mais um extenso arquivo digital que pretende exibir em encontros da confraria. Entre as obras que compõem o acervo estão “Um Cão Andaluz”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí; “Frankenstein” (1910), de J. Searle Dawley; “Decálogo”, de Kieslowski, e até um épico indiano, “Mahabharat”, de 15 horas de duração. “Não tenho nada contra os filmes comerciais, mas é preciso mostrar outras coisas”, diz Verderi.
Segundo ele, a confraria surge também com a intenção de resgatar a memória do cinema e, especialmente, promover a discussão acerca da sétima arte. “É para promover a troca de ideias, questionar, apreciar o cinema do jeito que ele deve ser apreciado.” A confraria também pretende ser um espaço para a exibição da crescente produção audiovisual rio-pretense. O cineasta e professor do curso de pós-graduação em cinema da Unilago, Hunfrey Borges, que participou do primeiro encontro da Confraria, explica que o incremento das produções no setor é determinado pelo baixo custo do cinema digital.
Hoje, com câmeras fotográficas que permitem filmagem em alta definição, é possível fazer bons trabalhos. Segundo ele, enquanto uma dessas câmeras digitais custam entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, uma câmera de cinema de baixo custo sai em torno de R$ 60 mil. Borges também integra o grupo de produtores locais. Entre seus trabalhos mais recentes está uma ficção que explora o universo hip hop. Francine Moreno e Vívian Lima