BRASÍLIA - O diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Onofre Moraes, pediu exoneração do cargo nessa quinta-feira, 2, após a divulgação de um vídeo no qual aparece dizendo que o governador Agnelo Queiroz (PT) acabará deixando o governo "de camburão da Polícia Federal".
Na mesma gravação, ele acusa o vice-governador do DF, Tadeu Fillippeli (PMDB), de integrar esquema para boicotar uma licitação e, supostamente, favorecer empresários. "Ele (Fillippeli) está pegando os negócios do Arruda", comenta, referindo-se ao ex-governador José Roberto Arruda, que perdeu o cargo por envolvimento no chamado "mensalão do DEM".
As declarações foram feitas em junho do ano passado, quando Agnelo já era investigado pela Polícia Federal. Onofre ainda não comandava a Polícia Civil e articulava nos bastidores para ocupar o cargo. As conversas foram gravadas na casa do jornalista Edson Sombra, uma das testemunhas da Operação Caixa de Pandora, que levou à prisão de Arruda.
Além do delegado e do jornalista, aparecem no vídeo o atual diretor do Departamento de Polícia Especializada do DF, Mauro Cezar Lima, o empresário Dogival Galdino Lima Júnior, dono da DGL Empreendimentos Imobiliários, e uma quinta pessoa.
Na conversa, Onofre reclama da então chefe da Polícia Civil, Mailine Alvarenga, a quem desejava substituir. Ele cita um telefonema: "Liguei e falei: 'Quando o seu governador estiver saindo de camburão da Polícia Federal e eu estiver aposentado, só vou falar: pede à diretora para tirar ele (sic)'. Foi o recado que eu mandei. Direto", disse o delegado. Na gravação, não fica claro quem era o interlocutor.
Segundo Onofre, Agnelo acabará caindo pela visibilidade do cargo. Dirigindo-se a Mauro Cezar Lima, ele afirma: "Você é um delegado de plantão, faz seus esquemas. Vira delegado adjunto, vai fazendo seus negocinhos, ainda é pintinho. (...) O problema do Agnelo foi esse: quando ele era deputado federal e ficava só no periférico, tudo bem".