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Bandidos usam carretas para resgatar presos na Polinter

Publicado em 30/10/2001 às 00:00Fonte: O Globo On Line

Um bando de 30 a 40 homens armados com fuzis 7.62 e usando seis veículos, entre eles duas carretas e um ônibus, realizou na madrugada de ontem uma ação de resgate de presos cinematográfica. Eram 4h15m quando eles chegaram ao prédio da Polinter, na Zona Portuária, atirando contra os policiais. Houve reação e intenso tiroteio. Além de fecharem a Avenida Rodrigues Alves e de se posicionarem no Elevado da Perimetral, os bandidos bateram com as carretas três vezes numa parede lateral da carceragem, abrindo um buraco por onde fugiram 14 presos, como o boliviano Hernán Toro Gomes, acusado de traficar drogas entre Corumbá (MS) e Rio. Um fugitivo se entregou à noite. A polícia acredita que conseguiu frustrar o objetivo da ação, que seria resgatar cinco bandidos da quadrilha do traficante Fernandinho Beira-Mar, principalmente Marco Marinho dos Santos, o Chapolim.

Ele e os outros quatro integrantes do bando tinham sido transferidos da Divisão Anti-Seqüestro para a carceragem da Polinter na sexta-feira. A transferência fora motivada pela descoberta de um plano para dar fuga a eles, encontrado há duas semanas com o traficante Robson de Moraes, o Robinho da Favela Kelson's, na Penha. O grupo foi dividido na Polinter e Chapolim estava numa das seis celas que ficam próximas à parede destruída. Junto a essa parede de 50 centímetros de espessura, na Rodrigues Alves, já tinha sido iniciada a construção de um muro para reforçar a segurança. Ainda ontem, Chapolim, seus cúmplices e outros presos, num total de 141, foram transferidos para presídios em Bangu, Água Santa e na Frei Caneca (Centro). Além disso, a parede começou ser reconstruída.

Em vez da cela de Chapolim, os bandidos que entraram na carceragem cortaram com um alicate o cadeado da cela 15, com 17 presos. Três não escaparam. Entre os fugitivos estavam os traficantes e seqüestradores Olissiano do Nascimento, o Ulisses de Vigário Geral, e Aldair Marlon Duarte, o Aldair da Mangueira.

No momento do resgate, havia nas 21 celas da Polinter 1.129 presos, quando sua capacidade é para 350. De madrugada a informação era de que só três agentes tomavam conta dos presos, mas pela manhã a polícia se negou a informar quantos carcereiros faziam plantão. O delegado substituto da Polinter, Milton Siqueira Júnior, garantiu que o efetivo era suficiente para impedir uma fuga em massa.

- Não divulgaremos o efetivo por segurança, mas podemos dizer que houve reação heróica dos policiais civis, com ajuda da PM, para impedir uma fuga em massa - disse o subsecretário operacional da Secretaria de Segurança, coronel Lenine de Freitas.

Batidas fizeram circuito de TV parar

Entre os veículos usados no resgate, só as duas carretas Scania foram roubadas longe da Polinter: a de placa MPN-3355 (em Belford Roxo, no sábado) e a AAO-9261 (em Seropédica, no domingo). Os bandidos bateram com uma delas de ré na parede da carceragem e depois a usaram para bloquear a pista da Rodrigues Alves no sentido da Praça Mauá. Em seguida o outro caminhão foi jogado contra a mesma parede, abrindo um buraco de cerca de quatro metros quadrados. Com o impacto, as câmeras do circuito interno de TV pararam.

Um ônibus da Viação 1001 que chegava de São Paulo também foi roubado e usado para bloquear a pista da Rodrigues Alves no sentido da Rodoviária Novo Rio. Apenas o motorista José Hamilton Leandro e uma passageira que não quis se identificar estavam no ônibus.

- Eles vestiam coletes à prova de balas, pararam o ônibus, colocaram as armas na minha cabeça e me mandaram deixar o veículo atravessado na pista - contou o motorista.

Nervosa, a passageira não conseguia conter o choro:

- Fiquei no chão, o barulho era horrível. Nasci de novo!

Os atiradores se dividiram em dois grupos. Parte ficou na Rodrigues Alves e parte na Perimetral, em dois Vectras, placas LBO-9489 e LND-6476, que depois foram abandonados em São Cristóvão. Eles atiravam contra a entrada principal do prédio enquanto os presos fugiam. Os quatro andares do imóvel e carros da polícia ficaram com marcas de tiros.

Segundo o subchefe de Polícia Civil, Gilberto de Almeida - o chefe de Polícia, Álvaro Lins, e o secretário de Segurança, Josias Quintal, participam de um encontro internacional de policiais no Canadá- a ação não durou mais de dez minutos. Alguns bandidos fugiram a pé e outros em vários carros, como o táxi Voyage LBE-5355, roubado no lugar.

- Foi rápido, só vi os bandidos atravessando na minha frente e me mandando ficar quieto na carreta enquanto atiravam - disse o taxista Silvino Leandro de Oliveira.

Após o resgate, cerca de 40 policiais civis e de três batalhões da PM fizeram buscas nas proximidades. O 5 BPM (Praça da Harmonia) fica a pouco mais de cem metros do lugar da fuga. De manhã, policiais fizeram incursões em Vigário Geral, Vila Kennedy, Barreira do Vasco e Mangueira, entre outras favelas, à procura de fugitivos, mas ninguém foi recapturado. À noite, Márcio Leandro Coutinho Bueno, acusado de homicídio, se entregou e disse que a intenção do bando era resgatar mais presos.
COLABORARAM: Renata Victal, Fábio Gusmão e Carlos Monteiro
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